domingo, 7 de agosto de 2011

Coisas randômicas sobre saudade. (Sob meu ponto de vista)

E os vícios de linguagem não vão conseguir explicar o vício de escrever sobre saudade.

  1. Ninguém no mundo é viciado em saudade, dela só se quer escapar;
  2. A saudade é um negócio estranho, é um sofrimentozinho com um toque de masoquismo;
  3. O bicho gente prefere sentir saudade a sentir nada;
  4. A hora mais feliz que a saudade proporciona é a de seu próprio funeral, especialmente se você é um dos assassinos;
  5. O bom de matar a saudade é que não dá cadeia e não sai sangue, só lágrimas;
  6. A saudade que eu sinto é grande, espero que ela diminua com o tempo igual a um bolo assando ao contrário;
  7. Tenho provisionada para o ano que vem uma saudade que é igual vinho, não expira nunca.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Minha razão perdeu a bússola.

Dominadora, séria, ajuizada.
Siso, alerta, aguçada.
Certa, reta, concentrada.
Bom senso, direção, determinada.
Pensamento, cuidadosa, apurada.
Sóbria, sonsa, escancarada.
Cansativa, capenga, usada.
Doente, morta e enterrada...

...a razão.


Dissidente, sorridente, calado.
Torto, maltrapilho, enjoado.
Triste, soluçante, arrasado.
Diluído, descolorido, atado.
Doído, partido, ilhado.
Saudoso, iludido, desencantado.
Precavido, dissimulado, despreparado.
Vermelho, musculoso, ensanguentado...

...o coração.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Apatia Produtiva

Hoje eu contemplei o vazio. Estando em uma construção relativamente antiga e isolada, meu celular sem sinal devolveu-me a concentração para focar em coisas outras.
Percebi-me distraída e boquiaberta viajando psicodelicamente em pensamentos sem o menor sentido. As cadeiras empilhadas, os gatos pingados... Estar só no meio de gente me trouxe uma introspecção difícil de alcançar. Só as abelhas falavam comigo em sua iminência suicida de causar dor.
Esse ano chegou reestruturando as vertentes do meu barco, não estar formalmente comprometida fez-me ver mais e melhor, como se eu tivesse posto os óculos da razão, voltei a desenhar e escrever, preocupei-me menos e conheci mais.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sintoma de saudade.

E eis que então tudo resolve mudar numa reviravolta que não poderia ser menos esperada, um caminho que só vislumbrava o vazio deu uma guinada frenética para o abundante, e ela sorri, imagina e pensa no resultado de uma impulsividade que tem respaldo de reações químicas no cérebro. Sim! Devemos e podemos usar a ciência para justificar nossas loucuras, que mais somos além de seres complexos com vontades inexplicáveis? A vontade dela é simplesmente essa, ele.

"Haverá paradeiro para o nosso desejo?" ¹

O rendezvouz dar-se-á em data que ela espera tão ansiosamente que seu calendário já se encontra aberto em mês adiantado, só para ver se chega logo. O que ela sente é tão forte que causa medo, insegurança e nuances de racionalidade. A reciprocidade é uma dádiva nesse caso, por que deixar passar assim? Saber que ele partilhava tal sentimento era um bálsamo e uma injeção de coragem, ela nunca fora tão impulsiva antes.

Can't you see what you've done to my heart... and soul?”²

Toda vez que sente saudade (quase sempre), lembra-se de um velho ditado: “Saudade é igual vontade, dá e passa.” Mas e quando não passa? Em alguns dias a saudade faz-se produtiva, dá uma alegria de saber que a espera tem fim. Noutros porém, ela vem vestida de preto, causa dor e não para de lembrá-la sobre a improbabilidade, impossibilidade e incoerência.
Os pensamentos vão longe no futuro perfeito das coisas passando pelo pretérito imperfeito de como tudo aconteceu. Será qualquer tempo, tempo suficiente? Ela nem sabe dizer se a falta ou excesso de tempo é o que vai lhes fazer sarar ou entristecer mais. O que será que ele prefere, algo que durou tempo suficiente para render lembranças perfeitas e ser posto em um pedestal ou algo que durou e queimou até o fim, até as cinzas deixarem certeza suficiente de que se pode ir adiante? Eles nunca chegaram a uma conclusão sobre isso.

Os livros na estante já não tem mais tanta importância, do muito que li, do pouco que eu sei, nada me resta. A não ser, a vontade de te encontrar, o motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado... ³

Ela vê nele qualidades que ele não sabe que tem. Ele diz que ela causou mudanças positivas. Ambos sentem-se adolescentes do alto de seu início de vida adulta. E eu, conhecendo suficiente dos dois digo que eles parecem promissores juntos.

E podia estar tudo agora dando errado pra mim, mas com você dá certo.” *

Se todos temos um prazo a expirar, o que eles tem a perder afinal? No máximo a chance de descobrir se toda essa onda de sentimento tem força e razão de ser. Pensando nisso ela se deixa envolver mais e mais por tudo que resistiu agora e no passado...

Eu só quero que você saiba que eu estou pensando em você. Agora e sempre mais.” **






¹ Paradeiro.
² Slow hands
³ Mensagem de amor.
* Não vá embora. 
**A sua.

P.s.: C., esse post foi para você. ;)




domingo, 17 de outubro de 2010

A Morte

A morte - tema delicado devido à associação da palavra com morbidez o que na minha opinião é um ledo engano. A morte e o nascimento empatam no quesito naturalidade, valendo ressaltar ainda que a primeira é mais certa do que o segundo, ainda que o segundo seja mais poético.
Todo mundo morre, a Morte é a mulher mais sem critério do mundo por gostar de diversidade, e assim leva todos um a um, desde o mais brilhante e honesto até o mais nocivo à sociedade, e tirando os belos monumentos com anjos que são postos em cima do túmulo de uns e a cruz de pedaço de pau de outros todos acabam dentro de um buraco fétido de terra úmida e escura. A grande dúvida que resta é quando. Seis letras que levariam à loucura todos aqueles que tivessem acesso a tal dado. E o humano é um animal que se consola no sofrimento alheio ou levando mais pessoas com sua própria desgraça, então para que se preocupar com o dia que o mundo vai finalmente desfalecer? "Prefiro preocupar-me com o dia em que morrerei sozinho, afinal esta é a unica coisa da qual meu egoísmo não participa, me incomoda mais saber que após minha morte as coisas continuarão sendo exatamente as mesmas".
Bom mesmo seria falar mais sobre isso, assim não precisaríamos dizer para as crianças que "o vovô foi pro céu" ao invés de "o vovô morreu", evitando o uso da palavra morte e programando futuros adultos que terão igual dificuldade para lidar com o fim da vida.
A religião já serve como muleta para nos consolar de que a vida não acaba quando termina, então por que tanto receio em aceitar que uma hora temos que morrer para dar lugar à outros que virão a nascer? Discutir a morte pode ser uma forma de aprender a encarar com, não menos sofrimento, mas mais compreensão o fato de que a vida é uma questão de tempo e que um dia, mais cedo para alguns e mais tarde para outros, vamos desabitar nossos corpos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Este é o primeiro post de um blog que foi idealizado por anos e que não foi feito antes devido ao meu extremo desconforto em demonstrar, dividir e expressar, porém decidi tentar sem nenhuma preocupação com métrica, rima ou sentido, isso mesmo, meu pensamento não se revela muito linear, portanto provavelmente redigirei coisas feliz e aletoriamente. Falando em aleatório, tem um monte de coisas aleatórias acontecendo com milhões de pessoas neste momento, muitas estão em situação pior do que a sua e isso pode ser usado como uma muleta para você se sentir melhor diante de seus problemas. Isso acontece comigo, e muito. Hoje foi um dia assim, tive problemas que numa escala de 0 a 10 de gravidade, eu daria um 7. Sabe aqueles pensamentos de "por que isso está acontecendo comigo?" Pois é, sempre me vêm à mente, ainda que eu não me considere de nenhuma religião, mas é difícil não enfiar deus em tudo se você é do hemisfério sul ocidental.
Especialmente em minha cidade as pessoas se policiam para não fugir do padrão invisível que nos foi imposto, até nossos pensamentos têm um padrão de "normalidade", disso eu tento fugir um pouco, e por isso  as pessoas sempre me olham como um pseudoterráqueo quando eu paro e observo os dedos de minha mão e como eles se movem de acordo com minhas ordens, acredito que minha incapacidade de banalizar as coisas mais comuns do mundo faz as pessoas acharem que eu tenho um leve grau de autismo, mas a verdade é que sempre me deixo levar pelos pensamentos mais absurdos, como por exemplo imaginar como a relação parasitária entre mãe e filho gera uma miniatura de gente, ou acordar e me olhar no espelho como se eu estivesse me conhecendo de novo, tenho um sentimento velado e constante de transição, quase como se tivesse certeza de que a qualquer momento irei à outra dimensão onde o meu eu permanente me espera. Às vezes me pego experimentando a sonoridade de meu próprio nome e aí tenhos ideias desconexas sobre as quais não falo muito.
Aliás eu sempre quis ter um blog justamente por isso, eu contaria toda a confusão que transpassa meu cérebro para quem quisesse ver, e o anonimato se encarregaria de mostrar somente àqueles de que eu nunca ouvi falar, o que me parece bem justo.