domingo, 17 de outubro de 2010

A Morte

A morte - tema delicado devido à associação da palavra com morbidez o que na minha opinião é um ledo engano. A morte e o nascimento empatam no quesito naturalidade, valendo ressaltar ainda que a primeira é mais certa do que o segundo, ainda que o segundo seja mais poético.
Todo mundo morre, a Morte é a mulher mais sem critério do mundo por gostar de diversidade, e assim leva todos um a um, desde o mais brilhante e honesto até o mais nocivo à sociedade, e tirando os belos monumentos com anjos que são postos em cima do túmulo de uns e a cruz de pedaço de pau de outros todos acabam dentro de um buraco fétido de terra úmida e escura. A grande dúvida que resta é quando. Seis letras que levariam à loucura todos aqueles que tivessem acesso a tal dado. E o humano é um animal que se consola no sofrimento alheio ou levando mais pessoas com sua própria desgraça, então para que se preocupar com o dia que o mundo vai finalmente desfalecer? "Prefiro preocupar-me com o dia em que morrerei sozinho, afinal esta é a unica coisa da qual meu egoísmo não participa, me incomoda mais saber que após minha morte as coisas continuarão sendo exatamente as mesmas".
Bom mesmo seria falar mais sobre isso, assim não precisaríamos dizer para as crianças que "o vovô foi pro céu" ao invés de "o vovô morreu", evitando o uso da palavra morte e programando futuros adultos que terão igual dificuldade para lidar com o fim da vida.
A religião já serve como muleta para nos consolar de que a vida não acaba quando termina, então por que tanto receio em aceitar que uma hora temos que morrer para dar lugar à outros que virão a nascer? Discutir a morte pode ser uma forma de aprender a encarar com, não menos sofrimento, mas mais compreensão o fato de que a vida é uma questão de tempo e que um dia, mais cedo para alguns e mais tarde para outros, vamos desabitar nossos corpos.

2 comentários:

  1. A ideia da morte já me foi tao obscura que eu só conseguia pensar que no dia seguinte ia tudo acabar. Até que me questionei que, se acabar, o que muda? Hoje tenho a resposta que mais me convém, vinda da minha escolha religiosa, mas nao posso imaginar como reagiria a uma morte de alguem proximo. O mais tolerável seria a minha mesmo, e entao a coisa muda de perspectiva. Nao tenho mais medo da minha morte, mas sim da dos outros. Que coisa...

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  2. Sempre me peguei pensando no que poderia vir depois da morte e quanto egoísta era, preferia morrer ao ver os outros morrendo. Só então parei pra pensar que a morte é a única certeza da vida. Mas ainda tenho uma certo desconforto ao falar do assunto.

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