A morte - tema delicado devido à associação da palavra com morbidez o que na minha opinião é um ledo engano. A morte e o nascimento empatam no quesito naturalidade, valendo ressaltar ainda que a primeira é mais certa do que o segundo, ainda que o segundo seja mais poético.
Todo mundo morre, a Morte é a mulher mais sem critério do mundo por gostar de diversidade, e assim leva todos um a um, desde o mais brilhante e honesto até o mais nocivo à sociedade, e tirando os belos monumentos com anjos que são postos em cima do túmulo de uns e a cruz de pedaço de pau de outros todos acabam dentro de um buraco fétido de terra úmida e escura. A grande dúvida que resta é quando. Seis letras que levariam à loucura todos aqueles que tivessem acesso a tal dado. E o humano é um animal que se consola no sofrimento alheio ou levando mais pessoas com sua própria desgraça, então para que se preocupar com o dia que o mundo vai finalmente desfalecer? "Prefiro preocupar-me com o dia em que morrerei sozinho, afinal esta é a unica coisa da qual meu egoísmo não participa, me incomoda mais saber que após minha morte as coisas continuarão sendo exatamente as mesmas".
Bom mesmo seria falar mais sobre isso, assim não precisaríamos dizer para as crianças que "o vovô foi pro céu" ao invés de "o vovô morreu", evitando o uso da palavra morte e programando futuros adultos que terão igual dificuldade para lidar com o fim da vida.
A religião já serve como muleta para nos consolar de que a vida não acaba quando termina, então por que tanto receio em aceitar que uma hora temos que morrer para dar lugar à outros que virão a nascer? Discutir a morte pode ser uma forma de aprender a encarar com, não menos sofrimento, mas mais compreensão o fato de que a vida é uma questão de tempo e que um dia, mais cedo para alguns e mais tarde para outros, vamos desabitar nossos corpos.
domingo, 17 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Este é o primeiro post de um blog que foi idealizado por anos e que não foi feito antes devido ao meu extremo desconforto em demonstrar, dividir e expressar, porém decidi tentar sem nenhuma preocupação com métrica, rima ou sentido, isso mesmo, meu pensamento não se revela muito linear, portanto provavelmente redigirei coisas feliz e aletoriamente. Falando em aleatório, tem um monte de coisas aleatórias acontecendo com milhões de pessoas neste momento, muitas estão em situação pior do que a sua e isso pode ser usado como uma muleta para você se sentir melhor diante de seus problemas. Isso acontece comigo, e muito. Hoje foi um dia assim, tive problemas que numa escala de 0 a 10 de gravidade, eu daria um 7. Sabe aqueles pensamentos de "por que isso está acontecendo comigo?" Pois é, sempre me vêm à mente, ainda que eu não me considere de nenhuma religião, mas é difícil não enfiar deus em tudo se você é do hemisfério sul ocidental.
Especialmente em minha cidade as pessoas se policiam para não fugir do padrão invisível que nos foi imposto, até nossos pensamentos têm um padrão de "normalidade", disso eu tento fugir um pouco, e por isso as pessoas sempre me olham como um pseudoterráqueo quando eu paro e observo os dedos de minha mão e como eles se movem de acordo com minhas ordens, acredito que minha incapacidade de banalizar as coisas mais comuns do mundo faz as pessoas acharem que eu tenho um leve grau de autismo, mas a verdade é que sempre me deixo levar pelos pensamentos mais absurdos, como por exemplo imaginar como a relação parasitária entre mãe e filho gera uma miniatura de gente, ou acordar e me olhar no espelho como se eu estivesse me conhecendo de novo, tenho um sentimento velado e constante de transição, quase como se tivesse certeza de que a qualquer momento irei à outra dimensão onde o meu eu permanente me espera. Às vezes me pego experimentando a sonoridade de meu próprio nome e aí tenhos ideias desconexas sobre as quais não falo muito.
Aliás eu sempre quis ter um blog justamente por isso, eu contaria toda a confusão que transpassa meu cérebro para quem quisesse ver, e o anonimato se encarregaria de mostrar somente àqueles de que eu nunca ouvi falar, o que me parece bem justo.
Especialmente em minha cidade as pessoas se policiam para não fugir do padrão invisível que nos foi imposto, até nossos pensamentos têm um padrão de "normalidade", disso eu tento fugir um pouco, e por isso as pessoas sempre me olham como um pseudoterráqueo quando eu paro e observo os dedos de minha mão e como eles se movem de acordo com minhas ordens, acredito que minha incapacidade de banalizar as coisas mais comuns do mundo faz as pessoas acharem que eu tenho um leve grau de autismo, mas a verdade é que sempre me deixo levar pelos pensamentos mais absurdos, como por exemplo imaginar como a relação parasitária entre mãe e filho gera uma miniatura de gente, ou acordar e me olhar no espelho como se eu estivesse me conhecendo de novo, tenho um sentimento velado e constante de transição, quase como se tivesse certeza de que a qualquer momento irei à outra dimensão onde o meu eu permanente me espera. Às vezes me pego experimentando a sonoridade de meu próprio nome e aí tenhos ideias desconexas sobre as quais não falo muito.
Aliás eu sempre quis ter um blog justamente por isso, eu contaria toda a confusão que transpassa meu cérebro para quem quisesse ver, e o anonimato se encarregaria de mostrar somente àqueles de que eu nunca ouvi falar, o que me parece bem justo.
Assinar:
Comentários (Atom)